Brasil Maior: inovar para competir e para crescer
Publicado no jornal Valor Econômico em 03 de agosto de 2011
Fernando Pimentel*
Ontem, a presidente Dilma Rousseff lançou o Plano Brasil Maior, a nova política industrial, tecnológica e de comércio exterior do governo federal. Mais do que um slogan de lançamento, inovar para competir, competir para crescer, este é um desafio colossal. As experiências bem-sucedidas de nações que alcançaram um estágio superior de desenvolvimento evidenciam dois importantes ensinamentos, que o Brasil deve ter atenção.
O primeiro é que a história de cada país é formada pelas próprias mãos de seu povo. Não existe, portanto, um modelo de desenvolvimento ideal a ser seguido, como propõe o liberalismo econômico e suas variadas matizes contemporâneas, nas quais se supõe que o caminho do desenvolvimento se dá por um conjunto normativo de conduta racional dos agentes econômicos objetivando o bom funcionamento do mercado e a superação de suas falhas. A crença cega no sistema de preços como mecanismo de autorregulação do mercado tem sido o pomo da discórdia das teorias econômicas, desde o século XIX. Como amplamente evidenciado na historiografia de formação dos mercados nas nações ainda hoje hegemônicas (vide Marx, Polanyi e Braudel), a introdução da moeda, a criação do sistema de preços e o desenvolvimento da economia monetária são construções sociais, surgidas de conflitos antagônicos em geral superados pelo uso da violência e outras formas não canônicas de conduta dos agentes econômicos.
Nesse sentido, o mercado foi construído pela capacidade dos Estados Nacionais instituírem a ordem econômica, começando pela imposição do curso legal da moeda. Ao contrário do imaginário corrente, as trajetórias bem sucedidas de industrialização não foram o resultado natural do funcionamento da mão invisível e sim produto dos esforços dos povos na construção de modernos estados nacionais, com poder de comando sobre o território.
O esforço da inovação será alavanca decisiva na estratégia do salto da nossa indústria rumo ao futuro
O segundo importante ensinamento da história contemporânea das nações é o papel central do conhecimento científico e tecnológico. O que já se sabia sobre o poder social e econômico do conhecimento nas antigas civilizações (orientais e ocidentais) foi imensamente amplificado com o surgimento da indústria fabril como motor da produção material. A entrada no novo milênio significou o terceiro século da civilização sob o domínio do sistema fabril de produção. As quatro revoluções tecnológicas que se sucederam trouxeram em escala crescente o conhecimento para o comando operacional do sistema fabril. Os chamados sistemas embarcados são a expressão maior desse processo, no qual o computador é completamente encapsulado ou dedicado ao dispositivo ou sistema que ele controla. Pela engenharia mecatrônica pode-se otimizar o projeto reduzindo tamanho, recursos computacionais e custo do produto. A próxima revolução será a difusão da impressora em três dimensões diretamente no processo de produção, trazendo a possibilidade de ganhos de produtividade pela produção flexível, o que mudará definitivamente os parâmetros de retornos crescentes pela lei secular da escala e escopo.
Essas inovações radicais no sistema fabril poderão, paradoxalmente, ser aceleradas pela profundidade e extensão da atual crise econômica mundial. A busca de um novo ciclo de ganhos sustentáveis de produtividade, agora sob a pressão ambiental, pode mais uma vez ser o caminho de inflexão da crise e de retomada da expansão econômica. Como em outras crises sistêmicas da economia monetária mundial, a destruição criadora revigora uns e aniquila outros. Na última crise dessa natureza, a grande depressão de 1929, o Brasil saiu melhor do que entrou. Como nos ensinou Celso Furtado em sua Formação Econômica do Brasil, a ação deliberada do Estado foi então decisiva para que o país conseguisse se integrar ao ciclo de industrialização e expansão econômica mundial que se seguiu.
O atual contexto histórico impõe a urgência das medidas que serão adotadas. O grande desafio do Brasil é se preparar para um novo salto da produtividade do trabalho via inovação tecnológica, de tal forma a mudar nossa posição competitiva num mundo em profunda transformação. De um lado, as economias capitalistas mais avançadas mergulhadas na crise, e de outro um grupo de países emergentes, liderados pelo extraordinário crescimento chinês.
O Plano Brasil Maior é uma resposta contemporânea de política de desenvolvimento produtivo a este grande desafio do salto de produtividade. Com um parque manufatureiro e uma rede de serviços avançados, e um sistema de ciência e tecnologia com escala e densidade significativas, a arma principal do país contra o acirramento da competição e apreciação cambial de nossa moeda é explorar as forças conquistadas no período recente, a estabilidade e a retomada do investimento e do crescimento. Mercado grande e em expansão, poder de compras públicas, extensa fronteira de recursos energéticos, força de trabalho jovem e capacidade empresarial constituem ativos institucionais, físicos e sociais formidáveis. Para colocar tais forças em movimento na velocidade exigida, o esforço da inovação será alavanca decisiva na estratégia do salto da nossa indústria, rumo ao futuro.
*Fernando Pimentel é ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
9 respostas a Brasil Maior: inovar para competir e para crescer
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É muito bom ver, ler e confirmar a competência do Ministro Fernando Pimentel.
Que ele seja cada vez mais iluminado para contribuir com a Presidenta Dilma e com o País.
Gostei das medidas,gostaria que todos os setores da industria fossem contemplados,fiquem atentos não deixem o Brasil entrar em receção.
Ministro, a intensão da Presidenta é um salto na nossa industria rumo ao futuro. Mas,”como fazer”, que projetos tem o governo para desenvolver as micro e pequenas empresas? V.Excia discorre sobre problemas e oportunidades, mas como chegaremos neste futuro? Ministro temos projetos pedimos uma audiencia com V.Excia para mostrar afinal somos mais de 90%das empresas no Brasil. Obrigado.
Fernando amigo, sinto-me cidadão quando percebo que autoridades públicas vão além do senso comum dos politicos carreiristas. Aliado
a sua paixão pelo exercício da boa política, você extrapola os demais com conhecimento, não apenas retórico e científico, mas sobretudo com a sua percepção da realidade geoeconômica. Mais ainda que os necessários saltos de produtividade, não apenas do agrobusiness, mas principalmente da indústria de vanguarda e da prestação de serviços, faz-se necessário reduzir drasticamente o Custo-Brasil, desonerando o setor produtivo e exportador. Sem o que não há como competir com a China e a desvalorização do dollar. Investir maciçamente em infraestrutura e logística.Abraços, Murilo Carneiro Pereira
As medidas propostas vão dar novo folego a produção nacional. Parabéns Ministro Pimentel e Presidenta dilma!
Olá!!!!!!!Prezado ministro Fernando Pimentel,desejo muitas realizações,muito sucesso,e,que traga para esta gente BRASILEIRA muitas felicidades.Juntamente com á nossa querida presidenta DILMA ROUSSEFF,o nosso BRASIL irá encontrar o seu desenvolvimento.Um abraço muito grande,sucesso sempre.
Caro Fernando Pimentel, venho acompanhando Belo Horizonte. Acredito no seu ideal e sei que você, pela experiência e conhecimentos irá ser um exemplo e resposta a todos que esperam de ti o melhor.Sou seu fã, e espero que este trabalhos que apresenta sejam apenas o início de um conjunto de ações para fazer do Brasil o melhor aproveitamento do pessoal humano e material de que disponibilizamos. Sugiro que se remeta ao velhos anos da faculdade e faça brilhar seu talento naquela época. Somos eternos rasil pujante, soberano e tranquilo para se viver.Sucesso!!!!!!
Muito bem colocado as observações do Ministro. A experiencia administrativa à frente da Prefeitura de Belo Horizonte fundamenta a clareza com que coloca seus pontos de vista. Vamos trabalhar para a valorização dos profissionais da engenharia, arquitetura e agronomia, essenciais para a alavancagem tecnológica que o País tanto precisa.
Fernando
continue sempre com essa garra e determinaçãoestamos sempre torcendo por voce. SONIA LANZA E FAMILIA